Deu na TV
Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem...
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer você pra mim
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vá pra lá
Meu coração vai se entregar
À tempestade...
Não há porque chorar
Por um amor que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade...
Se perguntarem se fui feliz, direi que sou. Se perguntarem se amo, direi que ainda amo. Se perguntarem sobre a vida, direi que esperem mais um pouco. Não me surpreende que amar seja realmente um verbo intransitivo.
Quanto à poesia, pertence a mim. Não divido. Contentem-se com pensamentos eruditos.
Na teoria consta que os judeus teriam saído de Saturno - sempre foram muito ligados à jóias - e que após um bronze em Mercúrio, escolheram a terra como destino. Acharam interessante a lhama, sem contar com toda aquela água, imagine só a facilidade de se fazerem os bar mitzva, pois afinal tiveram certa dificuldade nesse aspecto em Mercúrio. Era muito quente e seco, a comida estragava numa facilidade impressionante.
Em uma festinha de inauguração da faixa de Gaza, quando ainda não existiam palestinos querendo independência e eles apenas serviam os drinks, os judeus conhecem Deucalião e Pirra, o casal dos pedregulhos. Abraão e Sarah estavam passando por uma crise conjugal e logo ele se apaixona perdidamente por Pirra, que tinha um longo significado ruivo na cabeça. Ela, porém, não deu muita bola pra ele. Dessa festa foi gerada metade da população aborígene.
Depois de um tempo, esse povo sofrido foi comido pelos pobres e miseráveis. As lhamas eram de um sabor inigualável, principalmente quando temperadas ao curry. Enquanto isso, os judeus passavam pela primeira diáspora. Foram expulsos de suas terras por um povo que dominava a fabricação de tacapes.
Um dia eu vi esse homem. Ele carregava uma pequena mala. Dessas que se leva na mão quando se viaja. Mas, ele não parecia estar indo viajar. Parecia estar parado, muito parado.
Na mala ele carregava uma música. Daquelas que só se dança à dois. Quando é irresistível sentir o perfume do peito e não do pescoço. A primeira fragrância sai no vento. A segunda sai com as roupas.
Na mala um casaco e dez pães num saco pardo.
E a impressão de que já vai tarde.
Mas estava parado.
- Mário Quintana
Wainting for Godot
" Mas, como, olhando, a vista se alentava,
A imutável essência parecia mudar,
quando só eu me transformava."
Dante Alighieri.
Ninguém liga muito para o Ensino Médio, para os metais de um uníssono de ballet ou para a fase da construção quando se sobrepõem tijolos e se lixam as paredes. Ligam para o grande momento da univeridade - as Federais são, geralmente, mais apreciadas -, para o gracioso pas de deuxe e, quando não se têm crianças pequenas em casa, para as paredes branquinhas. O Ensino Médio é, na verdade, um prelúdio de três anos.
Estão, porém, enganados. O Ensino Médio é quando aprendemos a ser cacatuas chinesas que, como reza o mito, tinham as cores das flores de pêssegos e falavam como os homens mais eruditos.
Todavia, algo mais forte - no nosso caso o sistema - fez e faz conosco, os pássaros, o que sempre se fez com os sabidos; trancam-nos em celas com barras brilhantes de gesso. Nada se cria, nada se transforma.
A irreverência do branco no branco Malevitchiano seria nenhuma coisa sem seus precursores academicistas. Saibam que, assim como o branco pérola sob a luz solar ou um trombone em si bemol, o Ensino Médio pode ser surpreendente. Duvidam? Joguem então um bom pedaço de bacon para uma cacatua chinesa para ver o que acontece.
Sem a escola, eu não saberia que cacatuas não transpiram, o que são uníssonos e, muito menos, quem é Malevitch. Sem meu primeiro, segundo e terceiro anos completos, diga-se de passagem, eu não saberia fazer campos lexicais, escutar bom rock-and, achar F(X) ou como viver de salgado da cantina todas as terças e quintas.
Nada me acordaria cedo no domingo, senão a rotina escolar. Sem a valiosa contribuição do Ensino Médio, eu morreria sem saber que Newton se pendurou pela cintura, que não é a "hora da onça beber água", e sim "de a onça beber água" e que, se eu me tornar músico, vou fatalmente morrer de fome.
O colégio contudo, não é feito de momentos; é feito das pessoas que proporcionam esses. Os amigos, ah, os amigos, esses são indispensáveis. Principalmente naquelas tardes em que nunca se fica na escola para estudar. Ah, os amigos... Aqueles que fazem F.A.S no seu dia e que, com você, vão xingando para a educação física. Não podemos deixar de agradecer-lhes a presença em nossas vidas. Afinal, por todo esse tempo, foram eles que suportaram nossas altas ou riram pela dependência em pleno Natal.
O momento de estudo vespertino é feito pelos colegas. De manhã, ele conta com a participação dos professores. E QUE professores, devo dizer. Do alto de seu conhecimento, e também do tablado, eles comungam conosco a sina de acordar cedo para estar às 7h20 no colégio. Sobre suas competências intelectuais todos já sabem, não sejamos repetitivos. Não são todos que sabem, no entanto, que o Feitoza saiu do Nordeste de pau-de-arara; que o Jota é apaixonado pelas estrelas; que o Fernando, o Armando o Alexandre apreciam músicas bregas; que o Fausto acorda às 4h30 pra dar aula; que Marcello Lasneaux se escreve com dois éles; e que, de toda a bagunça que poderia ter sido feita, não sobrou pedra sobre pedra.
Porém, nem só de alunos e professores é feita a escola. Temos um exército infatigável e constantemente esquecido de funcionários travando uma guerra silenciosa contra a sujeira, os tocos de giz e as gargantas secas dos professores. Os funcionários que rezam antes das nossas provas, que limpam as nossas janelas, os funcionários que mantêm a nossa sala em condição de uso, que se livram das nossas provas descartadas em momentos de fúria, que nos dão ocasionais sustos ao entregar o copo de água de todas as manhãs. Obrigado por facilitarem o nosso processo de estudo, porque, para complicá-lo nós nos bastamos.
E tudo isso foi um custo de 33.120 reais. Aos pais com carinho, especialmente àqueles que renunciaram a alguma coisa para nos proporcionar escola de qualidade. Eles poderiam ter comprado um carro novo, mas decidiram, por algum milagre ou visão mística, apostar nos cavalos de corrida que alimentaram desde células.
Chegou a hora. Tornamo-nos companheiros de profissão e nosso curso durou três anos. Profissão: alunos de Ensino Médio. Chegou a hora. Enfrentaremos uma instituição diferente da qual conhecemos, um colégio sem sirene, sem Nara, com alguns professores, mas sem Galois.
Os metais já estão encerrando e encomendamos a tinta branca. Alvas paredes e o Pas de deux nos esperam, ah, e a Universidade também. E, certamente, depois dessa etapa, estaremos, então, de frente para a mais difícil das escolas. A escola sem escrúpulos, sem professores licenciados ou formados, sem Dulcinéia pra dar pirulito. A escola da vida.
Se for para o bem de todos e felicidade geral, digo a vocês que acabo aqui a minha oratória. Agradam sempre aqueles que são breves, salvo pequenas e PRAZEROSAS exceções.
Sujeitos a dívidas nós estamos, desde que nada qu seja a ver com cursos de taquigrafia por correspondêcia.
Horny as one can be
Away as two can ever be separate
Adoring every part as one can see
Whispering ever so slowly as one ever could
Moaning forever as you look at me and discover what I have been doing.
Everyone desires de flesh
Everyone touches their desire
Everyone passions luxury
Everyone but your fingertips.
On MY skin.
You half life what I have in mind
But you fully enjoy what I expand physically
Se existe algum período em que o País pára, em que os centros econômicos e sociais não funcionam e em que São Paulo não trabalha; este com a possível exceção da recente mobilização presidiária local; é quando os canários galácticos entoam meias palavras de um hino não muito nacional. O cântico de veneração, porém, pouco importa. O que os filhos dessa nação pobre e miserável querem, de fato, ver, é bola pra frente e gol. Gol do Brasil.
Por quatro anos eles passam necessidade. Quem? Os convocados? Obviamente que não. Os torcedores. Por quatro anos vivem as realidades brasileiras, mas quando chega a hora, “juntos todos vamos, pra frente Brasil, salve a seleção!”. O dinheiro que estava, arduamente, sendo poupado, sai de debaixo do colchão. É hora de comprar a camisa verde-amarela (falsificada, é claro.), é hora de torcer! Como se pudessem comer bandeiras de plástico, esquecem-se da fome, o ruído antropofágico que vinha de suas barrigas se abafa entre cornetas e apitos. A miséria que venha depois da Copa.
O escrete é formado por 23 escolhidos. O processo de convocação é interessante. A população espera por essa declaração de joelhos no chão. Os craques são anunciados. Corpo de Cristo, amém. Já é tempo de a Europa devolver os jogadores para que se inicie a concentração. É uma festa só. Autógrafos aqui, fotos ali, e pega criança no colo, beija recém-nascido... Quem não conhece os dentões e o cabelo comprido, pensa que falo de algum candidato a Presidência. Este, porém, não está muito distante. Localiza-se em cima de um palanque a uns dois passos entregando panelas de pressão, e promessas vãs, a fiéis eleitores sem cidadania.
Gooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
Deixemos que seja assim. Que não seja pensado, mas esperado. Que esse mar em desenvolvimento veja a mágica nos pés dos heróis nacionais. Deixemos que as eleições pouco importem e que, pelo amor de Deus, haja televisores nas prisões do Brasil.
A copa do mundo é nossa, porque com esse Brasil não há quem possa.
Just before our love got lost you said
I am as constant as a northern star
And I said, constantly in the darkness
Where's that at?
If you want me I'll be in the bar
On the back of a carton coaster
In the blue TV screen light
I drew a map of Canada
Oh Canada
With your face sketched on it twice
Oh you're in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet
Oh I could drink a case of you darling
And I would still be on my feet
Oh I would still be on my feet
Oh I am a lonely painter
I live in a box of paints
I'm frightened by the devil
And I'm drawn to those ones that ain't afraid
I remember that time that you told me, you said
Love is touching souls
Surely you touched mine
Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time
Oh you're in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet
Oh I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I would still be on my feet
I met a woman
She had a mouth like yours
She knew your life
She knew your devils and your deeds
And she said
Go to him, stay with him if you can
But be prepared to bleed
Oh but you are in my blood you're my holy wine
You're so bitter, bitter and so sweet
Oh I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I would still be on my feet
Cantar sem canções? Dizer sem palavras? Amar sem existir?
Ei Gogh, deixa eu me defender na sua arte? Deixa eu te usar de escudo? Deixa eu tomar seus problemas? Deixe que tudo vire tinta.
Flores de papel, flores verdes, flores que se desmancham nas minhas próprias mãos.
Genios mal interpretados.
Ei Gogh, vem comigo que tá valendo. Junte a sua arte com a minha e seremos duplamente incompreendidos.
Existia esse cara, era louco pela colegial que passava todos os dias em frente a sua casa às 7:30 da manhã. Provavelmente aquela rua era caminho para a escola, mas isso não lhe importava. Era a mesma rotina, sentava-se, comia panquecas, tomava um gole do café sem açúcar e lá vinha ela, linda, com uma saia propositalmente curta. Houve vezes em que ele chegou a pensar que ela sabia de seu voyeurismo e caprichava cada vez mais nas pernas de fora. Mas isso era apenas paixão. Amor eram suas panquecas, seu café e como Alice sabia que ele gostava sem açúcar. Ele sabia que aquilo que sentia todas as manhãs era somente curiosidade e que sexo de verdade ele teria naquele mesmo dia, após chegar do trabalho, afinal, era quinta-feira. Ele e sua mulher transavam todas as terças e quintas. Às vezes ele se cansava do cotidiano. Ao invés de panquecas, comia salsicha; o sexo de quinta passava para sábado e o baby-doll preto dava lugar para uma saia curta e drapejada. Mas ele nunca deixou de amá-la ou entregou-se a alguma paixão. Estava sempre curioso para saber o que ela diria no auge do êxtase ou em qual respiração isso aconteceria. Eles tinham, com o passar do tempo, se decorado e o impressionante é que ainda conseguiam surpreender-se. Tudo acaba quando acaba o encantamento.
[Parágrafo] O mais otimista daqueles que defendem o desenvolvimento sustentável; isto é, um superávit econômico e social com coesão e que impessa a destruição da natureza; acredita que, se continuarmos assim, a sobrevivência futura deste planeta só será possível se o aquecimento global anular-se com o inverno nuclear. Isso é uma somo impossível de vetores e uma piada. Ironias à parte, o que os ecologistas apóiam realmente é o crescimento no qual se argumenta que, com equilíbrio, a exploração ambiental para o contínuo desenvolvimento humano é necessária e viável.
[Parágrafo] As calotas polares estão derretendo e o capitalismo está mostrando os dentes. Por quê? No ártico se concentram 25% do gás natural mundial e não tem índio para estatizar nada. Algo vai mal. Os paradigmas estão mudando e, ao invés de terror, a carência de recursos futuros está gerando palmas. Os defensores da Gaya formam ONGs, sigla para Organizações Não Governamentais, quando as atitudes destrutivas são dos governos. Nós que inventamos o fogo estamos ficando sem combustível.
